sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

SAUDADES


           Saudades, saudades, saudades, muitas saudades...
          Há exatos quatro meses de ausência, nos foi retirado nosso chão, nosso alicerce, nosso esteio e nosso equilíbrio. A morte rompe o equilíbrio natural de um lar e de nossas vidas. A ausência permanente mina nossa resistência, aumenta nossa dor, deixa um saldo de angustia, de saudade e um constante nó na garganta.
          Saudade de um colo de Tia, de comidinha especial aos domingos, das conversas, das broncas, do encorajamento e principalmente da presença.
          Vamos seguindo nossos dias de maneira mais natural possível, tentando manter tudo como era, mas falta algo tangente é uma ausência impalpável.
          Nos enganamos que está tudo bem, quando na verdade a dor da perda grita desesperada dentro dos nossos corações...
          Há quem pensa que estamos bem, superando a perda com maestria, quando na verdade enganamos bem, pois não adianta lamentar e reclamar e acredito ninguém gosta de ouvir lamentações.
          Um dia de cada vez... Saudades ao amanhecer, onde a presença marcante estava presente em cada detalhe do nosso café da manhã, na hora do almoço uma lacuna que nada nem ninguém ocupa. Espaços vazios o tempo todo e na casa inteira.
          Me vejo a sua procura várias vezes ao dia, para contar uma novidade, para mostrar uma aquisição, a procura de um conselho e as vezes apenas como ouvinte. Há momentos de desespero, outros de questionamentos, mas acima de tudo de aceitação.
          Acreditamos em dias melhores, para nós e para ela, esperamos um dia reencontrá-la, mas principalmente esperamos que o tempo venha fazer o milagre apregoado por muitos... Que o tempo passe, que a dor amenize, que a saudade se torne suave e que nossas vidas seguem seu curso natural como a água de um rio.
          Vivendo na esperança de que o tempo cure nossa dor...
Heloisah

domingo, 15 de fevereiro de 2015

CRIANÇA CONSUMISTA



            A criança da casa é super consumista.
         Compra pelo prazer de comprar.
          Se tem dinheiro, fica maquinando o tempo todo de como gastar. Não importa se vai comprar algo que vai usar mais de uma vez. O negócio de sua vida, dos seus sonhos é comprar brinquedos...
          Torra tudo, do troquinho a grandes valores, e tudo em brinquedos. E quase sempre só brinca na hora que compra e nunca mais pega. Chegando em casa vai para a caixa de brinquedos e lá se perde, se mistura e no dia da seleção para doar ou jogar fora lá esta uma infinidade de brinquedinhos novinhos e todos misturados.
          A compra de hoje, mines dinossauros, armados para lutar.
          No momento está super concentrado em armar os dinossauros e montar uma catapulta que atira rochas no adversário.
          São miniaturas que com toda certeza ao se misturar com os outros brinquedos na caixa, nunca mais serão reunidos novamente.
          Nunca vi tanto desespero para comprar bugigangas e quinquilharias, sendo que ele tem brinquedos bons. Só que para ele não faz diferença, tanto faz, caro ou barato, cada um cumpre sua função de ser útil no dia da compra e depois nunca mais.
          E bem antes de eu terminar esse texto ele já se encontra insatisfeito, reclamando que deveria ter comprado o brinquedo da loja anterior, e me da mil e uma indireta para financiar outra compra.
         Faço ele raciocinar que não se deve comprar sem antes analisar se a compra vai ser útil. E se ele já gastou o dinheiro da semana, agora não tem como.
          Como demorei para postar esse texto, várias compras foram feitas nesse intervalo de três semanas, a última que foi ontem, uma coleção de tartarugas ninjas, no momento é um sucesso, brincando com elas no dia seguinte também...
          A caixa de brinquedos já se encontra entulhada, momento perfeito para fazer nova seleção de doação...
          Vivendo na esperança de ver o dia que a criança vai poupar seus troquinhos...

Heloisah