terça-feira, 11 de agosto de 2015

ARROGANTE

          
          Sabe aquele tipo de pessoa que depende de você para morar, comer e viver com conforto e ainda acha que te faz um favor.
          A criatura levanta entre 9 h e 10 horas. Em um ano, deve ter trabalhado uns cinco meses e olha que pode ser menos.
          Não foi criado para o trabalho e sim para viver das migalhas que os outros dão. Mas é arrogante, não se situa, é grosso, mal educado e adora fazer escândalos.
          Tenho penado, nunca pensei que em minha vida eu estaria ajudando um parasita deste quilate e ainda por cima ficando calada, não falando tudo que ele merece ouvir.
          Não entendo como ainda não se situou que está na nossa casa e não na dele. É tão imprestável, que não tem coragem de ajudar a descarregar o carro com as compras do supermercado.
          Compras essas que ele ajuda a devorar diariamente como bom parasita que é. E hoje o que me deixou indignada foi ouvi-lo dizer com ironia, referindo a mim e minha prima: - "Tenho até dó delas se precisarem de mim."
          Criatura acorda! Você ainda não percebeu que quem precisa é você? que o parasita imprestável és tu? Que só não falo tudo isso na sua cara em favor a outra iludida.
          Se situa parasita, sua hora vai chegar. A iludida vai acordar e nessa hora  quem vai falar tudo que você precisa ouvir e acabar com sua arrogância serei eu e com grande prazer.
         Faço tudo pela família, tento conversar, abrir os olhos, mas acredito que a iludida está começando a perceber que o mar de rosas está se transformando num profundo lamaçal.
          Só gostaria que ela fosse mais rápida no acordar, tenho medo de botar a criatura para correr antes da hora.
Heloisah

terça-feira, 23 de junho de 2015

SARCASMO


          Tive ótimos professores de sarcasmo. Aprendi tão bem, que quem mais me ensinou, hoje reclama das minhas respostas prontas, rápidas, afiadas e certeiras.
          Depois de ouvir por várias vezes que eu estava sendo muito sarcástica e já a estava deixando constrangida.
          Respondi que apenas colocava em prática o que eu aprendi com ela. Adorei sua reação de espanto, do tipo eu nunca fiz isso!
          Olhei bem nos seus olhos e em silêncio mantive meu olhar fixo, até ela desviar os delas, engolindo seco, admitiu que talvez tenha agido com sarcasmo algumas vezes.
          Confesso que adorei deixá-la constrangida, como sempre fez com outras pessoas. Hoje ela engoliu o seu próprio veneno, o mesmo que  varias pessoas engoliam diariamente, e não gostou.
          Sei que ela não vai mudar muito, essa é sua personalidade, é seu jeito de ser, o sarcasmo está enraizado na sua essência.
          Mas acredito que vá tentar maneirar suas respostas ferinas por algum tempo.
          Espero apenas, que a partir de hoje ela repense suas atitudes perante as outras pessoas. Que amadureça e respeite o tempo de cada um.
Heloisah


          

segunda-feira, 15 de junho de 2015

ARGUMENTANDO

         

          Por que vivo?
          Qual meu objetivo aqui na Terra?
          Tenho vivido no amor e na caridade?
          Estou no caminho certo?
          São tantos questionamentos e nenhuma resposta.
          Existe um tal de livre arbitro, que justifica tudo e não esclarece nada.
          Se estou indo bem é porque escolhi o caminho certo, se vou mal é o resultado de minhas escolhas erradas. 
          Tudo devidamente justificado mas, nenhuma palavra do destino te incentivando ou te orientando.
          Andamos no escuro o tempo todo atrás de uma luz que está oculta, não a vemos, mas sabemos de sua existência.
          É a luz que salva. Mas cadê essa luz? Quem a vê? Me dizem: cadê a sua fé? Respondo: cadê a luz?
          A luz não é para todos? É só para quem tem fé?
Não somos todos filhos do mesmo Pai?
          Perante Ele não somos todos iguais? Então porque alguns vê a luz e outros não? Novamente a história do livre arbitro.
          Ver ou não a luz é resultado de nossas escolhas de vida. Viver o amor ao próximo, a caridade, a justiça, a obediência é caminho para poucos.
          Cada dia percebo que trilhar o caminho inverso é muito mais fácil, todos te ajudam, te empurram para frente, te acompanham e incentivam.
          Mas para trilhar o caminho da luz, poucos te acompanham e te incentivam, ao contrário, muitos tentam de desviar.
          De manhã sozinha no meu quarto, traço meus objetivos para o dia. Minha boa intenção só dura o tempo da solidão, basta encontrar outra pessoa e tudo azeda, vivemos em sintonias diferentes.
          Quero tanto elevar minha sintonia, mas não consigo. Continuo na difícil tentativa de crescer espiritualmente...
          Vivendo na esperança de aprender cada dia mais...
Heloisah

terça-feira, 2 de junho de 2015

DESABAFO



          E de repente, me vejo pensando que a vida vem me cobrando mais responsabilidades comigo mesma e eu com aqueles ao meu redor.
       Percebo que não tenho correspondido a essa cobrança, acho difícil carregar para mim a responsabilidade que é do outro, estou pronta para ajudar, mas vejo que alguns, apenas transferem para mim, uma carga que é deles, estou querendo me libertar, de deixar a vida correr, de soltar as amaras, e que cada um faça sua parte e cumpra seu papel na vida.
          Cheguei naquele ponto da vida em que quando transferem para mim suas responsabilidades e vão embora dormir tranquilos, eu também vou dormir, afinal não me sinto responsável em cuidar do que não é meu.
       E se ao amanhecer vierem me cobrar, respondo tranquilamente: Se vocês não cuidaram e foram dormir tranquilos, eu também dormi.  Porque eu tenho que passar a noite acordada cuidando do que eu sinto, não ser meu dever?
        Cuido com amor, desvelo e carinho, a todos que eu amo, que cresceram ou crescem sobre minhas asas, mas não aceito mais carga. Passo noites e noites acordada cuidando daqueles que me são caros, não fujo e me doo por inteiro, aos que amo, nada é sacrifício, e para eles só quero o bem. 
       Se a vida me cobra, cobra dos outros também.
       Todos temos que ter responsabilidades com aquilo que construímos.
       Temos que trilhar passo a passo nossos caminhos.
       E em  algum momento teremos que prestar conta, daquilo que abraçamos e de nossas escolhas.
       Cada um possui uma carga que é sua, intransferível, de sua total responsabilidade.
       Então que cada um cumpra seu papel na vida e deixe de ser expectador de suas responsabilidades. 

      Heloisah

domingo, 17 de maio de 2015

OITO ANOS


          E de repente você percebe que a criança da casa cresceu, já fez oito anos.
          Já é responsável por si, por suas coisas e obrigações escolares. Ainda gosta de brincar, ama desenhos animados, é fã de bola e futebol e se diverte em cima de uma bicicleta.
          Me encanta sua responsabilidade com os deveres escolares, embora ele diz não gostar de estudar, mas é muito responsável, pela sua pouca idade.
          Acompanho seu desenvolvimento no dia a dia, vivenciando cada fase do seu crescimento mental, intelectual e motor.
          Para cada fase, descubro novos caminhos e maneiras de aprendizagem, sua alegria é permanente e já sabe lidar com as frustrações sem ficar emburrado. Acho lindo.
          Sabe negociar para conseguir o que quer. Tem uma lógica toda especial para me enrolar e no final sair com o que quer ou uma promessa de que conseguiu seu objetivo.
          Se destaca nos esportes de natação, judô e futsal. É assíduo e tem interesse nos encontros da catequese, participa das missas embora ainda não concentre o tempo todo, mas já vem apresentando melhoras.
          É muito amoroso e carinhoso com a família, não gosta de conflitos, não discute, mas argumenta defendendo seu ponto de vista.
          Como não amar esse pequeno homem. Esse Anjo que Deus colocou em nossas vidas, para nos ensinar a sermos cada dia melhor... Com ele aprendemos todos os dias e muito mais do que ensinamos. 
          E de repente oito anos se passaram... Anos de muitas alegrias e muitas travessuras. E hoje tudo que posso fazer é te encher de beijos, te mimar e agradecer a Deus por nos ter presenteado com você.
          Parabéns!... Parabéns!... Parabéns!... E um caminhão de saúde, de paz e de muito amor. 
Heloisah

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A MENTE E SEUS MISTÉRIOS


          "No mundo há mistérios, no corpo há enigmas, mas no espírito e na mente humana se escondem os maiores segredos do universo" (Augusto Cury)

          Uma criança passa em casa por todo o processo de crescimento e aprendizagem, até o momento de ir para a escola.
          Em casa seu desenvolvimento foi normal como de toda criança, aprendeu a falar, a andar, a comer, a cantar, a pular, a brincar é saudável, alegre e convive bem com todos.
          Mas quando chega na escola, há uma dificuldade de aprendizagem, não desenvolve a parte cognitiva da leitura, embora se dê bem na parte motora da escrita e é excelente na verbal e comunicação em geral.
          É sociável, sabe cumprir os combinados, presta atenção nas aulas, faz todas as atividades mecânicas, mas não lê absolutamente nada, não reconhece nem as vogais, embora saiba de cor todo o alfabeto e os números.
          No início aquela expectativa, depois a angústia, logo em seguida o questionamento, onde está o erro? É da escola? É da família? É da professora?
          Procura-se ajuda de psicólogo, neuro pediatra, faz-se acompanhamento, intervenção e a  leitura continua estagnada, não avança.
          No segundo ano novas expectativas, muda-se de professora, continua na mesma escola que é ótima, pensa-se, agora vai! A criança vai ler, com o passar do tempo nada, passa-se mais um ano, a professora é dedicada, a criança é caprichosa, tem uma letra linda, mas não lê.
          Dislexia? Trauma? Exames e testes não apontam nada. A família, a professora trabalham em conjunto e com muita dificuldade a criança termina o ano sabendo reconhecer o alfabeto, mas com dificuldades em identificá-lo nas diferentes formas da escrita, só o reconhece na letra cursiva.
          Terceiro ano, expectativa baixa, mas muito incentivo, nova professora e família trabalhando em conjunto novamente, passando segurança para a criança como nos anos anteriores, já não se dá prosseguimento ao acompanhamento psicológico e neuro pediatra.
          E de repente a surpresa, do nada a leitura brota e a criança avança, como se os últimos dois anos não tivessem existidos.
          A mente humana é uma caixinha de surpresa, não dá para comparar uma pessoa com a outra, cada ser humano é único, cada um tem seu tempo.
          Não podemos desistir ou desmotivar. É ter segurança e vencer os desafios do dia a dia. Aprendemos de várias maneiras, o que importa é aprendermos sempre.
Heloisah

terça-feira, 7 de abril de 2015

DONA ENCRENCA

Imagem retirada:http://vp-saudealternativa.blogspot.com.br/
          
          Há pessoas que adoram ser contra o sistema, tumultuar o ambiente, reclamar de tudo e ainda achar que está agradando os colegas, imaginar que é querida e que tem o apoio de todos.
          Se sente apoiada e vai metendo os pés pelas mãos, continua tumultuada, cada dia mais, começa a ser grosseira com os mais humildes e trata com falsa gentileza aqueles que ela sabe que é melhor não bater de frente.
          E outro dia, quando a equipe se reuniu, fizeram uma dinâmica com as qualidades, onde cada indivíduo recebia um papel com uma qualidade e deveria falar quem era a pessoa do grupo que mais se adequava a ela.
          De repente ela percebe que está isolada, não foi escolhida para nenhuma das qualidades, mas como se acha cheia de virtudes, começa a ficar incomodada, seu desconforto é visível e no final, meio sem jeito, ainda faz um aparte de que não foi escolhida, mas possui todas as qualidades ali listadas.
          Mas em momento algum percebeu que os colegas não gostam de suas atitudes, do seu jeito de agir e de suas tiradas. Agora percebo que ela só é suportada por todos.
          O que leva uma pessoa ser assim?
          É possível mudar?
          O que podemos fazer para que ela perceba que não comungamos de suas atitudes?
          Percebi ainda, que os colegas ficam calados para tentar manter a paz e a tranquilidade no ambiente de trabalho, já perceberam que não vale a pena desgastar contestando tal criatura.
          Neste caso como podemos agir?
          Conversar ainda mais com ela mostrando que suas atitudes atrapalha o ambiente de trabalho e desagrada a todos?
          Como prever sua reação: explosiva? Indelicada?
          Quem seria a melhor pessoa para colocá-la em seu lugar? Isso já foi tentado a exaustão e ela disfarça uma melhora por pequenos períodos e continua tudo igual de novo.
          Vivendo na esperança de mudanças duradouras...
Heloisah

          

quinta-feira, 2 de abril de 2015

VAIDADE



          Observo as pessoas. Todas vaidosas desde as pequeninas até os adultos.
          Todas transpiram vaidade, cada uma deixando em evidência o seu ponto forte. Todas valorizam o que tem de melhor, umas a pele, outras o corpo, outras o cabelos.
          Há mulheres que tem todos os atributos, outras um ou outro, mas todas com cabelos bem cuidados, unhas esmaltadas, maquiadas, perfumadas, bem vestidas e calçadas com o melhor das tendências, sem falar dos acessórios.
          Os uniformes atualmente são charmosos e valorizam os corpos de quem os vestem, se brincarmos os locais de trabalhos viram uma passarela.
          Observo que os homens também são vaidosos, se cuidam, vão ao salão, fazem limpeza de pele, sobrancelhas, as unhas, gostam de perfumes, vestem  e calçam-se bem.
          Hoje a vaidade impera desde os bebês com um comércio voltado especialmente para eles, mas tudo para os tornarem cada dia mais lindos e mais bem cuidados.
          Nos dias atuais peca quem não tem nenhuma vaidade. Temos que estarmos apresentáveis em todos os segmentos da sociedade, no trabalho, na igreja, na escola, nos clubes, nas festas e etc.
          Todos transpiramos vaidades.
Heloisah

         

quinta-feira, 26 de março de 2015

EXAME TRAUMÁTICO



                 Alguns anos atrás...
                 Naquele dia, quando levantei pela manhã, ainda de jejum, me preparei para ir até a clínica fazer uma tomografia computadorizada (TC), do tórax com contraste, para ver a evolução da enfermidade que estava me debilitando.
                 Chegando à clínica, passei por todos os processos de atendimento, fui chamada para realizar os exames, havia outros a serem feitos no mesmo dia e no mesmo lugar, hoje já não me lembro de quais eram, mas desta tomografia nunca esqueço.
Na antessala da máquina da bendita tomografia, começou toda a saga do dia, tive reações que eu nunca imaginava ter.
                 No início era eu e uma técnica que deveria pegar uma de minhas veias e me conectar com a máquina, que no momento certo injetaria o contraste na veia e este percorreria rapidamente por todo meu corpo, enquanto a máquina faria uma sequência de imagens do meu pulmão.
                 A técnica não conseguiu pegar uma veia sequer. Depois de cinco picadas infrutíferas eu já havia perdido toda a serenidade, mas respirava fundo para me manter tranquila, perguntei se não havia outra pessoa para colocar a bendita agulha na veia.
                 Vieram mais dois técnicos e começaram a furar o outro braço e nada, depois de sem exagero, de mais dez picadas sem sucesso, me vejo cercada de pessoas, com garrote apertando os dois braços ao mesmo tempo e sendo picada simultaneamente.
                 Aqui começou toda a crise, pedi que parassem de me furar, comecei a chorar incontrolavelmente e tremia de bater o queixo. Lembro-me dos técnicos tentando me acalmar, mas quanto mais eles falavam, mais eu chorava.
                 Levaram-me para um quarto nos fundos da clínica, cobriram me com um cobertor grosso, pois ainda tremia e chorava sem parar.
                 Respirava fundo, conversava comigo mesma para me controlar e nada, continuava em crise e sempre que alguém colocava o rosto dentro do quarto e me perguntava se eu já estava bem, começava a chorar de novo.
                 Esqueceram-me por lá mais ou menos quarenta minutos e eu continuava tentando parar de chorar, me fortalecia, conversava comigo mesma me dando força, pedia a Deus para me devolver o equilíbrio e nada, chorava e tremia sem parar.
                 Eis que entra os atendentes com uma senhora em uma cadeira de rodas com sua filha e filho, ela deveria ter sessenta anos e estava com as costelas fraturadas, comecei a perceber a dificuldade que os filhos encontravam para vesti-la com a roupa da clínica, para fazer os exames.
                 Ela chorava, gemia e dizia que não suportava a dor, a filha mais cuidadosa, foi conversando com ela e devagarinho foi vestindo sua mãe e eu respirava fundo, conversava comigo mesma e me questionava o porquê de toda essa crise se eu estava bem comparada àquela senhora.
                 Fui me fortalecendo, respirando fundo, pedindo força e sabedoria a Deus, enfim parei de chorar e tremer. A senhorinha saiu para fazer seus exames.
                 Sozinha novamente vi que já estava bem, nisso entra uma enfermeira, puxa uma cadeira, pega meu braço, coloca o garrote e pega uma veia de primeira, perguntei por que ela não tinha vindo antes, me explicou que é uma enfermeira de um hospital ali perto da clinica e eles a solicitaram para me atender.
                 Agora, já na sala de exames, com a veia conectada no contraste e este na máquina, começou o exame, chega o momento de injetar o contraste, colocaram uma mangueirinha de encaixe e não de rosca, resultado com a pressão da máquina, a mangueira se desconectou e tomei um banho de contraste que voava em todas as direções.
                 Sorte que a agulha ficou firme na veia, não deslocou. Fizeram a aplicação manual. O exame continuou e terminou quatro horas depois da primeira tentativa.
                 Esse dia não esqueço jamais e sempre que os médicos me pedem tomografia computadorizada (TC), vou logo falando, sem contraste, tenho alergia...
Heloisah 
       

sexta-feira, 20 de março de 2015

FATOS DA VIDA


                Era um dia de chuva forte, daquelas que alagam ruas e a enxurrada se torna violenta. Como não havia sinal de que a tormenta iria passar, minha Madrinha, resolve ir para casa.
          Sai do Bairro Jundiaí, a chuva caía forte, incessante, perigosa e traiçoeira; com cuidado, aliás, ela  sempre cuidadosa, consegue chegar até a porta de sua casa.
          Até aqui, tudo bem, a enxurrada estava alta na porta da garagem e sem pensar na possibilidade de algo pior acontecer, vira o carro para colocá-lo para dentro, pega o guarda chuva, as chaves e pensa em descer para abrir o portão.
          O que ela não percebeu foi que, ao virar o carro para colocá-lo na garagem, a água da chuva ficou represada e sem ter para onde ir tomou força e violentamente começou a escoar por todos os lados, inclusive, por debaixo do carro, fazendo-o balançar como uma embarcação em alto mar.
          Mesmo assim, ela não viu grande perigo e ao colocar os pés no chão, a água represada pelo automóvel escoou com tal velocidade e força que ela foi ao chão.
          A enxurrada a arrastou por debaixo do carro; sorte que o veículo não era rebaixado, acredita-se que ela caiu de barriga para baixo, e suas costas foram debatendo entre a ferragem, escoriando a pele e rasgando sua roupa, e assim no susto ela atravessou entre os pneus e na parte inferior  do carro sem ficar presa e sem se afogar, pela graça de Deus.
          Mas a água era tanta que a mesma só conseguiu se sentar há mais ou menos cinquenta metros abaixo, no cruzamento de duas avenidas, onde o sinaleiro se encontrava desligado, por falta de energia. Foi socorrida pelo seu sobrinho, que mora por perto e estava chegando em casa, ajudou-a,  chamando seu esposo, para auxiliá-la.
          As chaves do carro, da casa, o guarda chuva e os óculos foram levados e nunca mais encontrados; escoaram boeiro abaixo. Para enfrentar a correnteza e colocar o veículo na garagem foi outra luta, força humana contra a violência da natureza. Enfim, com o automóvel guardado em uma garagem inundada, hora de olhar o estrago no próprio corpo.
          As costas parecia aquelas que levam chibatadas amarradas no tronco. As pernas com hematomas e inchadas, aliás hematomas por todo o corpo.
          Não quis procurar ajuda médica e com o passar dos dias veio a febre e a perna inchada começou a ficar com uma coloração amarelo-esverdeado, não teve jeito, foi preciso ir ao médico.
          Com a lesão diagnosticada foi necessário fazer uma drenagem para que a mesma melhorasse. Depois do ocorrido veio o pânico por dias de chuvas, principalmente se precisasse dirigir, mas com o tempo o pavor diminuiu, mas até hoje está presente na forma de alerta.
          Depois de estar viva por milagre, começou a dar maior valor à vida. Principalmente, depois de alguns meses a mídia retrata em seu noticiário, casos semelhantes, até com vítimas fatais.
          Hoje relembrando o fato, agradeço a DEUS por nos ter dado apenas um susto. Sinto que ela renasceu no exato momento que conseguiu sentar-se no asfalto, no meio de um cruzamento de duas avenidas com alto fluxo de tráfego e no momento totalmente deserta.
          Sentada, no asfalto e no meio do cruzamento, sinalizava  com as mãos, assumindo o papel do sinaleiro, pedia socorro. Contava apenas com a iluminação dos faróis dos carros. Muito assustada, confusa e sem entender a dimensão do perigo, continuava atordoada, mas, supostamente viva. Renascida e rebatizada na água suja da chuva.
Heloisah

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

SAUDADES


           Saudades, saudades, saudades, muitas saudades...
          Há exatos quatro meses de ausência, nos foi retirado nosso chão, nosso alicerce, nosso esteio e nosso equilíbrio. A morte rompe o equilíbrio natural de um lar e de nossas vidas. A ausência permanente mina nossa resistência, aumenta nossa dor, deixa um saldo de angustia, de saudade e um constante nó na garganta.
          Saudade de um colo de Tia, de comidinha especial aos domingos, das conversas, das broncas, do encorajamento e principalmente da presença.
          Vamos seguindo nossos dias de maneira mais natural possível, tentando manter tudo como era, mas falta algo tangente é uma ausência impalpável.
          Nos enganamos que está tudo bem, quando na verdade a dor da perda grita desesperada dentro dos nossos corações...
          Há quem pensa que estamos bem, superando a perda com maestria, quando na verdade enganamos bem, pois não adianta lamentar e reclamar e acredito ninguém gosta de ouvir lamentações.
          Um dia de cada vez... Saudades ao amanhecer, onde a presença marcante estava presente em cada detalhe do nosso café da manhã, na hora do almoço uma lacuna que nada nem ninguém ocupa. Espaços vazios o tempo todo e na casa inteira.
          Me vejo a sua procura várias vezes ao dia, para contar uma novidade, para mostrar uma aquisição, a procura de um conselho e as vezes apenas como ouvinte. Há momentos de desespero, outros de questionamentos, mas acima de tudo de aceitação.
          Acreditamos em dias melhores, para nós e para ela, esperamos um dia reencontrá-la, mas principalmente esperamos que o tempo venha fazer o milagre apregoado por muitos... Que o tempo passe, que a dor amenize, que a saudade se torne suave e que nossas vidas seguem seu curso natural como a água de um rio.
          Vivendo na esperança de que o tempo cure nossa dor...
Heloisah

domingo, 15 de fevereiro de 2015

CRIANÇA CONSUMISTA



            A criança da casa é super consumista.
         Compra pelo prazer de comprar.
          Se tem dinheiro, fica maquinando o tempo todo de como gastar. Não importa se vai comprar algo que vai usar mais de uma vez. O negócio de sua vida, dos seus sonhos é comprar brinquedos...
          Torra tudo, do troquinho a grandes valores, e tudo em brinquedos. E quase sempre só brinca na hora que compra e nunca mais pega. Chegando em casa vai para a caixa de brinquedos e lá se perde, se mistura e no dia da seleção para doar ou jogar fora lá esta uma infinidade de brinquedinhos novinhos e todos misturados.
          A compra de hoje, mines dinossauros, armados para lutar.
          No momento está super concentrado em armar os dinossauros e montar uma catapulta que atira rochas no adversário.
          São miniaturas que com toda certeza ao se misturar com os outros brinquedos na caixa, nunca mais serão reunidos novamente.
          Nunca vi tanto desespero para comprar bugigangas e quinquilharias, sendo que ele tem brinquedos bons. Só que para ele não faz diferença, tanto faz, caro ou barato, cada um cumpre sua função de ser útil no dia da compra e depois nunca mais.
          E bem antes de eu terminar esse texto ele já se encontra insatisfeito, reclamando que deveria ter comprado o brinquedo da loja anterior, e me da mil e uma indireta para financiar outra compra.
         Faço ele raciocinar que não se deve comprar sem antes analisar se a compra vai ser útil. E se ele já gastou o dinheiro da semana, agora não tem como.
          Como demorei para postar esse texto, várias compras foram feitas nesse intervalo de três semanas, a última que foi ontem, uma coleção de tartarugas ninjas, no momento é um sucesso, brincando com elas no dia seguinte também...
          A caixa de brinquedos já se encontra entulhada, momento perfeito para fazer nova seleção de doação...
          Vivendo na esperança de ver o dia que a criança vai poupar seus troquinhos...

Heloisah

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

VIAGEM AO VENTO

          

          De repente, me vejo solta, com os pensamentos voando a toda velocidade, indo com o vento, sem restrição, sem barreira, liberdade total, viajando rumo ao horizonte.
          Com a rapidez da viagem do pensamento, o corpo fica estático, parado alheio a tudo que ocorre ao seu redor.
          Nesta viagem me vejo alegre, riso fácil, brincando com o condutor, dançando na companhia das folhas e flores que ele vai arrebatando e levando junto.
          E lá vou eu, junto com tudo que ele leva, e nesse frescor fico ainda mais fascinada. Mesmo que quisesse não conseguiria me desvencilhar, fico totalmente seduzida a prosseguir e a descobrir novos horizontes.
          De repente o vento termina sua viagem e pousa todos os passageiros em um lindo tapete de grama deixando-o com um alegre conjunto de cores. Onde era só verde, agora se encontra lindamente colorido com as pétalas das flores, folhas e gravetos que foram arrancados durante o percurso.
          Vejo ainda uma infinidade de insetos, que foram levados na mesma viagem e agora meios trôpegos, tontos começam a se mover devagarinho, tentando entender o que os arrebataram e os levaram para longe.
          A viagem do pensamento é fantástica, deixa o corpo leve, a alma tranquila, constrói e desconstrói tudo ao seu redor.
          Por outro lado o corpo continua ausente, e não registra nada ao seu redor. Para cada viagem do pensamento, novos caminhos se abrem, muitas portas vão se fechando e outras se abrindo.
          E  assim é a vida, na nossa caminhada, vamos avançando e deixando algumas coisas para trás e vamos levando experiências que vão nos ajudar a seguir em frente e nos inspirar a abrir novas portas e a trilhar novos caminhos.
          Para cada viagem com o vento muito nos acrescenta. Vivendo na esperança de novas viagens.


Heloisah

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A ESPERA DO REENCONTRO


          Com a chegada da noite, vem junto a saudade, me vejo perdida em pensamentos, reavivo lembranças, revejo momentos de pura diversão, e muitas saudades do meu menininho.
          Enquanto a nostalgia toma conta de mim ele se diverte nas suas férias... Fico tanto tempo sozinha, que a solidão deixa de ser impressão e passa a ser companhia.
          Fico completamente dividida, fico feliz por sabê-lo se divertindo, passeando, se integrando, sendo feliz e por outro lado fico melancólica por tê-lo tão longe dos meus olhos.
          Sentimentos estranhos me invadem a cada separação, fico incomodada até o momento do reencontro, a ansiedade se faz presente muito antes da partida e bem depois da chegada.
          No momento sou uma confusão de sentimentos, passo por isso todas as férias de meio e fim de ano e não aprendo, sempre a mesma coisa, uma saudade que dói e trava minha vida.
        Tentando encontrar um equilíbrio para amenizar a distância do coração e da alma, no momento tenho razões para ser triste, mas me refaço para aproveitar todas as oportunidades para evitar mergulhar em sentimentos negativos.
         A cada férias sem meu menininho começo a agir como se a vida fosse uma repetição, ele se vai cheio de expectativas  e eu fico cheia de conflitos, que só melhora no reencontro.
         Amanhã vou encontrar um jeito de sorrir da saudade que hoje me entristece a alma e o coração. Vivendo na esperança da alegria do reencontro.

Heloisah