Sabe aquela pessoa que sabe tudo? Que mesmo antes de você terminar uma frase ela já faz um aparte, falando do melhor, do pior, dando opinião, intrometendo, I-N-T-R-O-M-E-T-E-N-D-O.
Ando cansada da intromissão, de apartes, de sugestões e opiniões que não somam nada, é apenas a atitude de quem quer ter o prazer de falar primeiro, de opinar e fazer sugestões incabíveis. Só para gritar: Hei estou aqui! Olha para mim! Deixa eu falar, quero participar de suas decisões...
E quando tem visita então. É nessa hora que a criatura acha que tem que participar de toda conversa, falando alto, metendo a colher de pau, não desconfia que está sendo irritante e que desagrada a todos.
Se ouve que vamos encomendar salgados, mesmo sabendo que sempre encomendamos na salgadeira que nos acompanha de longa data, ela tem que aparecer e falar que conhece um lugar ótimo e que os salgados são bons.
O mais interessante ela sabe de tudo, menos do seu lugar, nunca faz nada errado é sempre o outro, ela não jamais. E o que o outro faz muito bem ela toma posse e vai logo falando eu fiz.
Me irrita, mas não fico sem ela. Nos piores momentos me calo e deixo que ela fale sozinha até perceber e se retirar. Só queria que ela esperasse ser consultada para dar sua opinião e não antes. Que mesmo que esteja de ouvido em pé captado nossas conversa que ficasse calada.
Afinal família é isso. De tanto estar junto não percebe que está se I-N-T-R-O-M-E-T-E-N-D-O, I-R-R-I-T-A-N-D-O, apenas acha que está ajudando é a cigarra da minha vida, faz tanto barulho para nada.
Heloisah
Sentada debaixo do arvoredo à sombra do pomar. Observo o verde das folhagens e encontro diferenças nas tonalidades, uns mais claros, outros mais escuros, cada árvore com sua cor, com seu formato de folhas, com sua ramagem e copas.
Nada é igual. Várias mangueiras, cada uma de altura, tronco e copa diferente, com folhas grandes, outras médias e algumas pequenas, mas todas as mangueiras estão floridas, se preparando para produzir toneladas de frutos.
Os abacateiros com galhos carregados e na hora da colheita, daqui vai sair milhares de caixas cheias. Nesse momento o vento balança a ramagem e alguns frutos se desprendem e caem no chão se quebrando todo e servindo de alimento para as aves que se encontram por perto. E nesse cai, cai, quase recebo um no colo, foi por pouco. Pausa para me sentar em outro lugar.
Aqui há outras frutas tais como: seriguelas, amoras, cajás, limões, mexericas pocam, bananas, laranjas, uvas, jabuticabas, acerolas e goiabas. Cada tipo de frutas em estágios diferentes de produção, uns na florada, outros em início de formação, outros em crescimento, outros na hora da colheita e muitos no intervalo de produção como as jabuticabas.
De repente me perco observando as formigas que transitam nas cascas e pelos troncos das árvores, sentei em um local em que elas passam por mim e não me incomodam, pretas, compridas e ligeiras, lá vão elas.
Abelhas e vespas voando e zunindo por todo lado, a cantoria dos pássaros, repousando ou alimentando nas árvores ou no solo coberto de folhas, flores e frutos caídos recentemente.
Brisa fresca, deliciosa a esvoaçar meu vestido e cabelos. Penso duas vezes para atravessar o pátio entre a sombra e o sol. Eis que posa bem próximo dos meus pés um bando de quero quero, me encanto com seus andares elegantes e saltitantes com suas longas e finas pernas.
Como pode tanta algazarra? Tenho receio de me mover e espantá-los, agora pousa aqui próximo um grupo de pombos que andam rebolando e catando com seus biquinhos tudo que acham pela frente e um outro tanto de pequenos pássaros ciscam as folhas se divertindo e se alimentando. Momento mágico.
Próximo ouço barulho de água a cair, refrescando minha memória, acalentando meus sonhos e me despertando para a vida. Se a coragem deixar, vou lá me banhar. As crianças já estão se divertindo nas águas mornas pelo sol.
Vou ficando por aqui olhando um lindo céu por entre as folhagens, retalho de lindo azul e em outros flocados de nuvens brancas. Dia lindo. Momento perfeito para me perder em contemplação.
Heloisah
E a vida como vai? Assim... Assim... Vivendo intensamente cada minuto. Agradecendo a dádiva de ter um novo amanhecer, buscando equilíbrio entre a saúde e as mazelas.
Levanto toda manhã com um sorriso e uma oração, mais um dia para experimentar novos sabores, novas cores, novas texturas, novas emoções e o que conta é simplesmente viver.
Viver de verdade, com intensidade, com alegria, com prosperidade, com sabedoria e com simplicidade. Viver o hoje sem deixar nada para depois.
Abraçar os amores, a vida, a família, os afilhados, os amigos e as mascotinhas. Abraçar apertado e não deixar escapar a vida por entre os dos dedos, segurar firme e vencer cada momento, com grande alegria e muitos abraços.
Andando lado a lado com o tempo. Hoje já não tenho necessidade de correr contra ou atrás do tempo. O melhor é ir acompanhando cada acontecimento com sabedoria e paciência, afinal correr para que? Se tenho todo o tempo necessário para cumprir minha jornada, para trilhar minha estrada, para chegar ao meu destino.
Aprendi a viver o hoje de olho no amanhã e se despedindo do ontem, porque a vida só acontece agora, ontem já se foi, ficou só a experiência e o amanhã é só uma possibilidade.
Enfrento as batalhas de frente, não recuo, mas também não avanço se não me sentir segura. E hoje não arrisco ir além dos limites que o corpo me impõe.
Só não aprendi a dominar minha língua, ainda falo mais do que o necessário, sem pensar e as vezes propositalmente, falo tudo, não deixo nada para depois e quando percebo já desfiz o mundo de alguém ou derrubei o meu próprio.
Difícil mesmo é o meu discurso, falo mais que a boca e deixo um mar de palavras dúbias que as pessoas interpretam do jeito que querem provocando mal estar em muitos.
Vivendo para aprender a contar até dez, para morder a língua antes de falar o que não é de minha conta. Ficar calada por tempo insuportável.
Afinal... E a vida como vai?
Assim... Assim...
Heloisah