domingo, 21 de setembro de 2014

SOU URBANA



Sou urbana. Disso tenho certeza.
Mas não esqueço minhas origens.
Tenho os pés fincado na cidade,
mas o coração é do campo.
Gosto do conforto e da comodidade,
mas tenho no meu sangue um que de camponesa.
E assim a natureza me encanta.
Me perco na contemplação dos pássaros e 
em ouvi-los em suas algazarras.
Borboletas me distraem, 
assim como flores, folhas e árvores.
Os burburinhos da água correndo em seu leito,
me tranquiliza a alma.
Quando observo o céu, as nuvens, o sol e as estrelas,
neles só vejo magia.
Entre asfalto, paredes e concretos,
sempre encontro um canto que me encanta.
E nesses lugares sempre me perco no tempo.
Tem dias que as lagartixas, que correm ariscas,
me fazem sorrir, correm com medo de que?
Em outros fico pasma com o número enorme
de lagartas nos caules dos coqueiros.
Sem falar das abelhas que querem invadir meu copo,
fizeram morada no muro aqui em casa.
E a dona coruja que faz da antena seu poleiro,
sei de sua presença a noite inteira.
Sou urbana... Mas não esqueço minhas origens.
Vejo com alegria as mudanças das estações.
Mas às vezes me irrito também, 
principalmente com o calor e a sequidão.
Amo investigar o pedaço.
Vejo grandes possibilidades no meu pedacinho do céu,
nele vislumbro todo o meu horizonte perdido.
Sou urbana... Com toda certeza.
Aqui minhas raízes se fixaram.
Sou urbana. Daqui não saio jamais...
Heloisah

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