sexta-feira, 28 de novembro de 2014

PRESA NO ESPELHO

          


          Hoje parece que o tempo parou... Embora os ponteiros do relógio continuem a girar, a avançar, a marcar cada segundo, minha cabeça e meus pensamentos  ficaram presos em tempos atrás.
          O relógio roda, os dias passam e continuo prisioneira do meu próprio tempo... Perdida nos dias que já não voltam mais e fico estagnada nesses momentos e não saio do lugar.
          Lembro o exato minuto de me ter perdido, mas não sei como lutar e sair do passado, para cada passo que dou para frente, outro involuntário dou para trás.
          Literalmente não saio do lugar. As vezes, acredito achar a luz no final do espelho, mas é só uma ilusão... Não consigo ultrapassar meus próprios limites.
          Limites impostos pela minha mente, vontade de me libertar, de correr sem olhar para trás, mas, penso, repenso dou um passo para frente e consequentemente outro para trás e continuo dentro do espelho.
          A pior prisão é aquela imposta pelo medo, ela me limita, mesmo tendo todas as portas e janelas abertas, eu fico, não bato as asas, não vou e continua no mesmo patamar.
          Quanto maior meu desejo de liberdade, mais presa fico... O pensamento me condena e me absorve ao mesmo tempo, é instantâneo.
          Mas o tempo continua parado para mim, mas o relógio gira e já se faz dias, semanas, meses e se brincar anos, tiro tudo do lugar, dou uma boa sacudida e me preparo para a liberdade, mas inconscientemente coloco tudo de volta, no mesmo lugar.
          O relógio continua a girar, mas, meu tempo está parado dentro de um espelho, não avança e eu presa na minha própria psique. Mente carrasca, mas humana... Neste momento agradeço esse lado de humanidade presente em mim.
         O relógio continua a girar e eu presa em mim mesma... Vivendo na esperança de me libertar...

Heloisah

terça-feira, 25 de novembro de 2014

BUSCA DE MIM MESMA

        


          Há dias que me encontro tão pesada, cansada, inchada, sonolenta e lenta por demais.
          Os pensamentos vão tão devagar, quanto meus passos... As coisas ao meu redor estão desbotadas, minha visão ligeiramente turva.
          Qual o motivo para tudo isso? De onde vem tanto cansaço se estou sentada o tempo todo? Por que esse desânimo? Não entendo... Tudo continua como sempre foi, mas também muito mudou... Meu corpo não acompanha minhas vontades, parece ter vida própria e ando no seu ritmo lento  e cadenciado.
          Quero mudar tudo isso, mas meu corpo não reage... Minhas vontades não condizem com a realidade dos meus dias...
          Por onde anda minha força de vontade? E minha disciplina para onde foi? Difícil saber, ando a procura de minha fé, não sei onde ela se escondeu... Por mais que a procuro, sempre deixo para amanhã a busca mais profunda...
          Mergulhar dentro de mim mesma é muito estressante, me encontrar é um desgaste além dos meus limites...
          Almejo colocar minha vida novamente nos trilhos,  mas me falta coragem para arregaçar as mangas e começar a trabalhar com afinco minhas emoções...
          Nesse momento, meus olhos mal conseguem ficarem abertos, vão se cerrando lentamente e há momentos que as teclas desaparecem e viram um borrão só...
          Muito cansada de não fazer nada... Parando por aqui... Se eu me permitir vou atrás  do meu equilíbrio... Vou em busca de mim mesma...
Heloisah
        

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

DESPEDIDA

         


          Em algum ponto da vida, somos chamados para prestarmos contas do que fizemos neste mundo, e na última terça feira Dona Judith foi sumariamente convocada a ir... 
          Mulher forte, guerreira e moldada em um material que a fez resistente, mas ao mesmo tempo flexível... Esposa dedicada, mãe amorosa, tia presente e vó extremamente carinhosa...
          Foi aquela que nos primeiros tempos era exigente, autoritária mas sem perder a ternura e com o passar dos anos se transformou no alicerce da família, foi a conselheira, foi o amor presente, foi quem tudo vigiava e tudo sabia, comandava nossas vidas em cima de seu velho sofá.
          Dela nada escondíamos, todas nossas preocupações ou angustias ela percebia imediatamente, e em seu desvelo nos convocavam a auxiliar quem no momento não se encontrava bem.
          Com dificuldades levantava de seu sofá para preparar o suco para o café da manhã de seu netinho caçula e comandava com sabedoria para que na mesa estivesse sempre presente o prato preferido de cada um de nós. 
          Sua partida foi inesperada dentro do esperado, sabíamos que ia acontecer, mas não agora, mas DEUS assim o quis, não questionamos e aceitamos, mas não é fácil, a saudade enche nossos corações...
         Não há como fugir das lembranças diárias de uma vida de convivência... Mas nos fortalecemos minuto a minuto para continuarmos... 
          E hoje aqui estamos relembrando com saudade, os feitos dessa mulher grandiosa, que nos educou para sermos filhas e sobrinha responsáveis, tinha orgulho dos nossos feitos, nos aplaudia e incentivava, quando necessário nos puxava a orelha, nos empurrava para frente e nos levava a reflexão...
          Apesar de nossas dores... Pensamos que a vida deve ser colorida, vivida e respeitada... Nada de revolta... Deus nos ama e perante Ele somos todos iguais... Ontem alguém passou por isso, hoje somos nós e amanhã será outros, essa é nossa certeza...
          Por isso... Vivamos com intensidade cada segundo de nossas existências, compartilhando momentos especiais com a família e amigos, tendo sempre em mente que, este segundo poderá ser o último, porém, momentos vividos juntos nos fortalecem para enfrentarmos o lado triste da vida!
          Aqui fica registrado uma eterna saudade de suas filhas, nora, genro, netos e de sua sobrinha, que um dia você acolheu e cuidou com o mesmo carinho e desvelo de uma mãe amorosa e cuidadosa...
         Vivemos na esperança de dias melhores... 


Heloisah

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

NOVO AMANHECER

     
     Momentos difíceis existem para nos fortalecer.
     É na adversidade que você descobre a força que tem.
     Minha superação é diária, o lúpus e a esclerodermia em atividade constante.
     Convivendo com as dores, inchaços, dificuldades de locomoção e respiratória diariamente.
     Vivendo um dia de cada vez. Nessa vida nada é fácil, tudo é questão de sobrevivência, de superação e de querer estar viva. E como quero viver! Viver muito... 
     Se não bastasse isso, ainda há sustos com a família, tia internada, criança que meche e vira está com algum problema de saúde e é desse jeito que vamos atropelando os dias e sendo atropelados também, mas o bom disso tudo é que sempre há um amanhã.
     E para cada manhã há infinitas possibilidades de se estar  melhor ou não... Mas o mais importante é que o amanhã chegou, e se chegou é por que você ainda tem mais um dia de vida.
     É desse jeitinho que vou computando meus dias... Uns melhores, outros nem tanto, mas o importante é ter um novo amanhecer e saber ser grata a tudo isso.
     Há uma força invisível que me impulsiona para frente, que me ampara, consola e me mostra novos caminhos, outro jeito de caminhar, outra maneira de ver a vida e com ela vou aprendendo a contornar ou superar todos os obstáculos que encontro pela frente. 
     Uns com mais facilidade, outros com grandes dificuldades, um dia vou mais rápido no outro tão devagar quase parando, mas vou, não paro, quero chegar em outro amanhã e assim sucessivamente tenho uma coleção de ontens e uma infinidades de amanhãs a minha espera.
     Quero uma coleção bem grande de ontens, porque para cada ontem é a certeza que vivi, e para cada um deles é a esperança de um novo amanhecer...
     Vivendo na esperança de muitos amanhãs...
Heloisah
     

terça-feira, 21 de outubro de 2014

PRIMAVERA PRA LÁ DE QUENTE


Esperando a chuva chegar...
Primavera deste ano está pegando fogo... Tempo quente, seco e minha cidade virou uma estufa.
Ficar dentro de casa até dá, mas por os pés para fora depois das 10 horas é impossível, muito calor, muito sol e um abafamento só. 
Tem momentos que chego a pensar que calor mata.
E para alimentar só abusando do gelado, troco almoço por açaí, sorvete, melancia bem geladinha e água de coco. Me pego mastigando gelo a tarde toda.
Chove ao redor, mas no meu bairro nem um pingo cai, precisamos urgentemente de uma boa chuva, daquelas que vem para ficar, que diminua a temperatura, que nos permita desligar o ar condicionado, ventiladores e afins. Vivendo momentos incômodos, calor, mormaço, ar parado e sem brisa... Esse caloraço de primavera está acabando comigo. Primavera sem flores, de gramas ressequidas, de cerrados pegando fogo, de ar empoeirado e enfumaçado. Esperando a chuva chegar... Para brotar as flores e as ramas das árvores, para alegrar as bicharadas, para limpar o ar e refrescar a temperatura do ambiente. Me preparando para andar na chuva, se a meteorologia não furar novamente será amanhã... Esperando ansiosamente...
Heloisah

domingo, 21 de setembro de 2014

SOU URBANA



Sou urbana. Disso tenho certeza.
Mas não esqueço minhas origens.
Tenho os pés fincado na cidade,
mas o coração é do campo.
Gosto do conforto e da comodidade,
mas tenho no meu sangue um que de camponesa.
E assim a natureza me encanta.
Me perco na contemplação dos pássaros e 
em ouvi-los em suas algazarras.
Borboletas me distraem, 
assim como flores, folhas e árvores.
Os burburinhos da água correndo em seu leito,
me tranquiliza a alma.
Quando observo o céu, as nuvens, o sol e as estrelas,
neles só vejo magia.
Entre asfalto, paredes e concretos,
sempre encontro um canto que me encanta.
E nesses lugares sempre me perco no tempo.
Tem dias que as lagartixas, que correm ariscas,
me fazem sorrir, correm com medo de que?
Em outros fico pasma com o número enorme
de lagartas nos caules dos coqueiros.
Sem falar das abelhas que querem invadir meu copo,
fizeram morada no muro aqui em casa.
E a dona coruja que faz da antena seu poleiro,
sei de sua presença a noite inteira.
Sou urbana... Mas não esqueço minhas origens.
Vejo com alegria as mudanças das estações.
Mas às vezes me irrito também, 
principalmente com o calor e a sequidão.
Amo investigar o pedaço.
Vejo grandes possibilidades no meu pedacinho do céu,
nele vislumbro todo o meu horizonte perdido.
Sou urbana... Com toda certeza.
Aqui minhas raízes se fixaram.
Sou urbana. Daqui não saio jamais...
Heloisah

terça-feira, 2 de setembro de 2014

ENCRENCA A VISTA

          

          Sabe aquele tipo de pessoa, que você fala, fala, orienta, ensina, mostra a maneira correta de como fazer, acompanha seu dia a dia, incentiva, enfim faz o que pode para auxiliar e mesmo assim a cabeça dura insiste em seus escorregões.
          Acha que ela está certa, que quem quer ajudar está de implicância e quando a corda arrebenta, a humildade desaparece, age com arrogância, ataca quem mais fez por ela, não assume suas falhas, tenta sair pela tangente e ainda se faz de coitadinha.
          Quando vê que a situação está para lá de preta e que precisa de sua ajuda no desenrolar das coisas, ainda age como se você fosse a culpada, não quer ouvir sugestões, acredita que agiu certa, e se irrita quando você mostra que no momento não adianta meias verdades.
          Quando cai a ficha de que a situação é mais complicada do que pensa, continua arrogante e só pensa em desistir, não pensa que uma situação mal resolvida a perseguirá para sempre. Atrás de cada pessoa encontra uma família para auxiliá-la, para acolhê-la, para ajudá-la e nunca o contrário, assim acreditei até agora. Já não sei mais.
          A única coisa que sei é que vou continuar a fazer o que minha consciência mandar, ajudar, incentivar, orientar se quiser seguir segue se não lavo minhas mãos, mas fico na retaguarda, qualquer coisa se der amparo e acolho. Tento, mas não consigo deixar para lá.
          Vejo o ser humano com suas infinitas facetas... Todos tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes. estou aqui aguardando maturidade, responsabilidade e flexibilidade.
Heloisah


domingo, 31 de agosto de 2014

CALOR



         Calor insuportável.
         Tentando esfriar o ambiente. Ventilador ligado ao máximo. Tomando água gelada aos litros. O corpo pesado, apático, sem vontade de movimentar.
         Lá fora o sol aceso ao máximo, queimando tudo que estiver ao seu alcance. As plantas nos vasos tiveram que ir para a sombra, estavam completamente desidratadas.
         A água sai das torneiras quente, fervendo. Lá fora nem uma brisa para refrescar. Falta de apetite, dormir é impossível os ventiladores não dão conta de tanto calor. 
         Geladeira cheia de frutas, iogurtes e sucos é o que são possível ingerir, nada quente nem morno, só gelado. Meu cafezinho, deixei de lado.
         As mascotinhas estão apáticas,  comendo pouco e consumindo muita água, respiração ofegante e cansadas.
         Pouca umidade no ar, umidificador também não dá conta de melhorar o ar da casa, narinas queimando ao respirar, ar seco demais, prejudicando as mucosas nasais.
         Preciso superar a alergia ao ar condicionado, ser mais resistente, fortalecer os pulmões. Vencer os próximos dias vai ser difícil.
        Me preparando para dias piores. Eu e o calor não combinamos.    
Heloisah  
     

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

BRINCANDO COM A VIDA


       Viver não é esperar a tempestade passar...
       É aprender a brincar na chuva...
       É ter paciência quando a vontade é gritar...
       É  esperar quando a vontade é resolver logo...
       É sair correndo quando a vontade é ir devagar...
       É comer depressa quando a vontade é saborear lentamente...
       É viajar pouco quando a vontade é viajar infinitamente...
       É  não dormir quando a vontade é dormir mais que a cama...
       É andar no sol quando a vontade é ficar na sombra...
       É abraçar e ir embora quando a vontade é ficar...
       É falar um oi e um tchau quando a vontade é sentar e conversar...
       Brincar com a vida é inverter as prioridades, é realizar todas as vontades. Parar o tempo, estacionar esse mundo acelerado, sentar e ficar, fazer tudo devagar prestando atenção no que dá prazer...
       Brincar com a vida é deixar para trás o peso que se carrega, diminuir as bagagens, as angústias, as tristezas e seguir levando apenas o sorriso e a alegria...
       Ando brincando com a vida... Invertendo minhas prioridades... Quando se chega a uma certa idade, a vida se acalma e aí sentimos aquela necessidade de desacelerar, de seguir os dias pacientemente e vagarosamente.
       Hoje me divirto com a vida, mas choro e me desespero também... Amo observar a natureza, sou apaixonada pelas cores e formas das nuvens no céu, fico horas e horas observando e registrando, nunca é igual. Do nascer ao por do sol, tudo exerce sobre mim um fascínio sem fim...
       Vou seguindo e brincando na vida e a vida brincando comigo.
       E como dizia Fernando Pessoa "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena."  Minha alma se agiganta diante da vida, e eu sigo brincando com ela.
      Vem brincar comigo? Vêm?
Heloisah

sábado, 16 de agosto de 2014

ENFRENTANDO MEUS MEDOS


          Quem disse que é fácil enfrentar meus medos?
           Falar é fácil, o difícil é encarar.
          Enfrentar, não é mole não.
          Fico apavorada, mente barulhenta e inquieta, corpo tenso.
          Mil e uma possibilidades esvoaçando pela minha mente.
          Deito e não durmo, levanto cansada e eles ainda estão lá.
          Como me desligar? É possível?
          O medo diminui minha produtividade.
          Preocupada, fico lenta, ando devagar e o medo se agiganta.
          Cresce, toma conta e vira um monstro.
          Equilíbrio não há. Onde estão os conselhos que já dei.
          Porque hoje eles não me ajudam? Quando já ajudei outros.
          Porque esse pavor? 
          O que me leva a ele?
          Me questiono, me investigo, mas resposta não há.
          Só sei que quando minha saúde se abala, o pavor se instala.
          Medo de morrer? Vontade de viver?
          Quero tempo. Ainda não vivi tudo, nem tempo suficiente.
          Morrer não está nos meus planos para as próximas 5 décadas.
          E a vida me cutucando o tempo todo.
          Hora um sintoma, hora outro.
          Mas a vontade é tanto, vou vencendo cada um.
          Mas para cada um deles, novos medos vão se somando.
          E confesso. Ainda me encontro com uma pontinha de pavor.
          Mazelas e medo, sai desse corpo que não te pertencem.
          Vão embora. Aqui a luta é grande.
          E mais cedo ou mais tarde, a vida vence.
          E a luta segue. Um dia de cada vez.
          Me preparando para dias melhores.
Heloisah