Calor insuportável.
Tentando esfriar o ambiente. Ventilador ligado ao máximo. Tomando água gelada aos litros. O corpo pesado, apático, sem vontade de movimentar.
Lá fora o sol aceso ao máximo, queimando tudo que estiver ao seu alcance. As plantas nos vasos tiveram que ir para a sombra, estavam completamente desidratadas.
A água sai das torneiras quente, fervendo. Lá fora nem uma brisa para refrescar. Falta de apetite, dormir é impossível os ventiladores não dão conta de tanto calor.
Geladeira cheia de frutas, iogurtes e sucos é o que são possível ingerir, nada quente nem morno, só gelado. Meu cafezinho, deixei de lado.
As mascotinhas estão apáticas, comendo pouco e consumindo muita água, respiração ofegante e cansadas.
Pouca umidade no ar, umidificador também não dá conta de melhorar o ar da casa, narinas queimando ao respirar, ar seco demais, prejudicando as mucosas nasais.
Preciso superar a alergia ao ar condicionado, ser mais resistente, fortalecer os pulmões. Vencer os próximos dias vai ser difícil.
Me preparando para dias piores. Eu e o calor não combinamos.
Heloisah
Viver não é esperar a tempestade passar...
É aprender a brincar na chuva...
É ter paciência quando a vontade é gritar...
É esperar quando a vontade é resolver logo...
É sair correndo quando a vontade é ir devagar...
É comer depressa quando a vontade é saborear lentamente...
É viajar pouco quando a vontade é viajar infinitamente...
É não dormir quando a vontade é dormir mais que a cama...
É andar no sol quando a vontade é ficar na sombra...
É abraçar e ir embora quando a vontade é ficar...
É falar um oi e um tchau quando a vontade é sentar e conversar...
Brincar com a vida é inverter as prioridades, é realizar todas as vontades. Parar o tempo, estacionar esse mundo acelerado, sentar e ficar, fazer tudo devagar prestando atenção no que dá prazer...
Brincar com a vida é deixar para trás o peso que se carrega, diminuir as bagagens, as angústias, as tristezas e seguir levando apenas o sorriso e a alegria...
Ando brincando com a vida... Invertendo minhas prioridades... Quando se chega a uma certa idade, a vida se acalma e aí sentimos aquela necessidade de desacelerar, de seguir os dias pacientemente e vagarosamente.
Hoje me divirto com a vida, mas choro e me desespero também... Amo observar a natureza, sou apaixonada pelas cores e formas das nuvens no céu, fico horas e horas observando e registrando, nunca é igual. Do nascer ao por do sol, tudo exerce sobre mim um fascínio sem fim...
Vou seguindo e brincando na vida e a vida brincando comigo.
E como dizia Fernando Pessoa "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena." Minha alma se agiganta diante da vida, e eu sigo brincando com ela.
Vem brincar comigo? Vêm?
Heloisah
Quem disse que é fácil enfrentar meus medos?
Falar é fácil, o difícil é encarar.
Enfrentar, não é mole não.
Fico apavorada, mente barulhenta e inquieta, corpo tenso.
Mil e uma possibilidades esvoaçando pela minha mente.
Deito e não durmo, levanto cansada e eles ainda estão lá.
Como me desligar? É possível?
O medo diminui minha produtividade.
Preocupada, fico lenta, ando devagar e o medo se agiganta.
Cresce, toma conta e vira um monstro.
Equilíbrio não há. Onde estão os conselhos que já dei.
Porque hoje eles não me ajudam? Quando já ajudei outros.
Porque esse pavor?
O que me leva a ele?
Me questiono, me investigo, mas resposta não há.
Só sei que quando minha saúde se abala, o pavor se instala.
Medo de morrer? Vontade de viver?
Quero tempo. Ainda não vivi tudo, nem tempo suficiente.
Morrer não está nos meus planos para as próximas 5 décadas.
E a vida me cutucando o tempo todo.
Hora um sintoma, hora outro.
Mas a vontade é tanto, vou vencendo cada um.
Mas para cada um deles, novos medos vão se somando.
E confesso. Ainda me encontro com uma pontinha de pavor.
Mazelas e medo, sai desse corpo que não te pertencem.
Vão embora. Aqui a luta é grande.
E mais cedo ou mais tarde, a vida vence.
E a luta segue. Um dia de cada vez.
Me preparando para dias melhores.
Heloisah
A difícil arte de conviver com pessoas instáveis...
Sabe aquele tipo de pessoa que muda de humor várias vezes ao dia, que nada a satisfaz por muito tempo, que anda sempre desconfiada e com um pé atrás em tudo.
Acho cada dia mais difícil de lidar com esse tipo, a insatisfação está presente o tempo todo, desconfiada, acha que sempre tem pessoas falando dela, atrapalhando seus planos, é indecisa e afirma que tem alguém puxando seu tapete sempre que as coisas não dão certo.
É um barril de pólvora pronta a explodir sempre que é contrariada. Bipolar é apelido, vai muito além, se diz apaixonada pelo seu trabalho, mas deixa a desejar na execução de suas tarefas diárias, mas a culpa é sempre do outro, nunca dela.
Adora falar mal dos colegas em sua ausência, mas junto deles sempre se cala e se faz de amiga. Adora jogar água fria nos planos dos outros e aconselha a deixar o projeto de lado, que não vai dar certo, passado alguns dias lá está ela tentando executar o mesmo, roubando a ideia do colega.
No mesmo dia diz amar uma pessoa e logo após está pronta a esfaqueá-la. Oh criatura insana, instável, bipolar, doente, simplesmente insuportável. Difícil de conviver.
Sua mania de perseguição a faz fazer coisas insanas, inacreditáveis para depois se fazer de vítima, para sair das enrascadas que ela própria se mete, barraqueira sem igual, grita, xinga e diz que está defendendo seus direitos.
Estou há alguns dias observando tal criatura, cada dia fico mais abismada com sua mente doentia, com suas atitudes e principalmente por sua dissimulação.
Preciso me afastar de tanta negatividade, ninguém merece conviver com tal criatura. Ajudar está além de qualquer ser humano normal. Ela precisa de ajuda profissional urgente. Mas quem se atreve?
Eu ando me escondendo, sempre que possível e quando não é apenas ouço bem caladinha sem dar nenhuma opinião, qualquer murmúrio serve como reforço para sua loucura.
Para combinar só uma nuvem negra...
Heloisah
Saudade aperta o peito o tempo todo, do momento que acordo até a hora que de exaustão adormeço.
Saudade de seu sorriso, de sua voz, de ver você brincando incansavelmente, do seu mal humor quando contrariado, sua cara brava quando as coisas não acontece como você quer.
Saudade... Muitas saudades... Vontade de abraçar e ser abraçada, vontade de dizer te amo e ouvir eu também te amo infinitão, saudade de nossas guerrinhas de travesseiros e de sua pouca vontade na hora de tomar banho.
Metade do tempo já passou, mas quando penso que ainda falta uma semana para meu abraço, meu coração se encolhe e aperta ainda mais, parece que a saudade não tem fim e é progressiva, aumenta um tantão a cada dia somado.
Creio que preciso desapegar um pouco para sofrer menos a cada separação. Aprender a dividir e compartilhar o tempo, sei que seu amor é para todos e que partir é necessário de vez em quando. Então porque sofro tanto? Porque dói tanto?
Contando cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia, cada semana, e tudo me parece infinito, não passa, o tempo não anda, invento o que fazer mas a mente não desliga de você.
Meu cérebro não fica of, nem quando durmo, é uma atividade constante, já acordo exausta, mente fervilhando, converso com Deus pedindo paz e tranquilidade para mim e proteção para você. Coração aquieta um pouquinho, mas logo a ansiedade toma conta novamente.
Lembro das palavras da psicologa: - Heloisah, você não pode amar demais, tem que por limites no seu amor. Mas como limitar o que é infinitamente expresso? Não consigo e no final quem sofre sou eu.
Não consigo amadurecer e racionalizar minha maneira de amar, vou seguindo meus dias com o coração apertado e a saudade latente, contando cada segundo que passa.
Estou aqui, só ouvir sua voz não basta, quero meu abraço...
Seguindo e perseguindo cada dia com uma vontade de dormir e só acordar quando for hora de você voltar...
Saudades! Oh! Quantas saudades...
Heloisah
Euzinha toda estilosa para pescar.
Não gosto muito deste esporte, mas vamos lá.
Todos vestidos e calçados a caráter.
E eu, com cabelos escovados, saia, blusa e sandálias, camada espessa de filtro solar e outra de repelente, munida do meu inseparável guarda sol.
Mal entro na canoa e meu guarda sol voa com o vento e me deixa desprotegida. E o tal repelente que não faz o mínimo efeito e quando vejo, viro fast food de insetos, coço daqui, coço dali, calombo subindo e pele avermelhada por toda área exposta, sol me deixando incomodada.
Programa de índio. Eu já havia me prometido a não participar deste tipo de passeio, mas de vez em quando me deixo convencer e me arrependo logo em seguida.
Enquanto minha companhia nada tentando resgatar meu guarda sol, me deixa sozinha na canoa, vejo que as varas já estão com as iscas, e para tentar ajudar, coloco as em posição de pesca.
E para piorar tudo, um danado de peixe, resolve abocanhar isca e anzol. Agora sim danou-se tudo! Retiro o peixe da água. Preciso libertá-lo e devolvê-lo para a água, mas como fazer isso sem pegar no bicho de cheiro forte e viscoso?
Eu sei que preciso salvar o coitadinho, enquanto luto comigo mesma, pego não pego? Ele se debate, penso lentamente, mas decido agir rapidamente e livrar o bichinho, mas quem falou que é fácil? O anzol preso com suas garrinhas, mexo daqui, mexo dali, consigo desgarrar o tal anzol.
Liberto o danadinho, e mesmo com sua boquinha machucada ele nada rapidamente para longe.
Meu guarda sol não foi resgatado, as varas foram retiradas da água, voltamos sem pescar nada e eu me prometendo novamente a não me deixar convencer a fazer esse programa nunca mais.
De tudo isso percebi que: os únicos que ficaram felizes foram os mosquitos, que me viram como um restaurante, e ficaram super alimentados. Affff.... Pescar nunca mais...
Heloisah
Sabe aquela pessoa que sabe tudo? Que mesmo antes de você terminar uma frase ela já faz um aparte, falando do melhor, do pior, dando opinião, intrometendo, I-N-T-R-O-M-E-T-E-N-D-O.
Ando cansada da intromissão, de apartes, de sugestões e opiniões que não somam nada, é apenas a atitude de quem quer ter o prazer de falar primeiro, de opinar e fazer sugestões incabíveis. Só para gritar: Hei estou aqui! Olha para mim! Deixa eu falar, quero participar de suas decisões...
E quando tem visita então. É nessa hora que a criatura acha que tem que participar de toda conversa, falando alto, metendo a colher de pau, não desconfia que está sendo irritante e que desagrada a todos.
Se ouve que vamos encomendar salgados, mesmo sabendo que sempre encomendamos na salgadeira que nos acompanha de longa data, ela tem que aparecer e falar que conhece um lugar ótimo e que os salgados são bons.
O mais interessante ela sabe de tudo, menos do seu lugar, nunca faz nada errado é sempre o outro, ela não jamais. E o que o outro faz muito bem ela toma posse e vai logo falando eu fiz.
Me irrita, mas não fico sem ela. Nos piores momentos me calo e deixo que ela fale sozinha até perceber e se retirar. Só queria que ela esperasse ser consultada para dar sua opinião e não antes. Que mesmo que esteja de ouvido em pé captado nossas conversa que ficasse calada.
Afinal família é isso. De tanto estar junto não percebe que está se I-N-T-R-O-M-E-T-E-N-D-O, I-R-R-I-T-A-N-D-O, apenas acha que está ajudando é a cigarra da minha vida, faz tanto barulho para nada.
Heloisah
Sentada debaixo do arvoredo à sombra do pomar. Observo o verde das folhagens e encontro diferenças nas tonalidades, uns mais claros, outros mais escuros, cada árvore com sua cor, com seu formato de folhas, com sua ramagem e copas.
Nada é igual. Várias mangueiras, cada uma de altura, tronco e copa diferente, com folhas grandes, outras médias e algumas pequenas, mas todas as mangueiras estão floridas, se preparando para produzir toneladas de frutos.
Os abacateiros com galhos carregados e na hora da colheita, daqui vai sair milhares de caixas cheias. Nesse momento o vento balança a ramagem e alguns frutos se desprendem e caem no chão se quebrando todo e servindo de alimento para as aves que se encontram por perto. E nesse cai, cai, quase recebo um no colo, foi por pouco. Pausa para me sentar em outro lugar.
Aqui há outras frutas tais como: seriguelas, amoras, cajás, limões, mexericas pocam, bananas, laranjas, uvas, jabuticabas, acerolas e goiabas. Cada tipo de frutas em estágios diferentes de produção, uns na florada, outros em início de formação, outros em crescimento, outros na hora da colheita e muitos no intervalo de produção como as jabuticabas.
De repente me perco observando as formigas que transitam nas cascas e pelos troncos das árvores, sentei em um local em que elas passam por mim e não me incomodam, pretas, compridas e ligeiras, lá vão elas.
Abelhas e vespas voando e zunindo por todo lado, a cantoria dos pássaros, repousando ou alimentando nas árvores ou no solo coberto de folhas, flores e frutos caídos recentemente.
Brisa fresca, deliciosa a esvoaçar meu vestido e cabelos. Penso duas vezes para atravessar o pátio entre a sombra e o sol. Eis que posa bem próximo dos meus pés um bando de quero quero, me encanto com seus andares elegantes e saltitantes com suas longas e finas pernas.
Como pode tanta algazarra? Tenho receio de me mover e espantá-los, agora pousa aqui próximo um grupo de pombos que andam rebolando e catando com seus biquinhos tudo que acham pela frente e um outro tanto de pequenos pássaros ciscam as folhas se divertindo e se alimentando. Momento mágico.
Próximo ouço barulho de água a cair, refrescando minha memória, acalentando meus sonhos e me despertando para a vida. Se a coragem deixar, vou lá me banhar. As crianças já estão se divertindo nas águas mornas pelo sol.
Vou ficando por aqui olhando um lindo céu por entre as folhagens, retalho de lindo azul e em outros flocados de nuvens brancas. Dia lindo. Momento perfeito para me perder em contemplação.
Heloisah
E a vida como vai? Assim... Assim... Vivendo intensamente cada minuto. Agradecendo a dádiva de ter um novo amanhecer, buscando equilíbrio entre a saúde e as mazelas.
Levanto toda manhã com um sorriso e uma oração, mais um dia para experimentar novos sabores, novas cores, novas texturas, novas emoções e o que conta é simplesmente viver.
Viver de verdade, com intensidade, com alegria, com prosperidade, com sabedoria e com simplicidade. Viver o hoje sem deixar nada para depois.
Abraçar os amores, a vida, a família, os afilhados, os amigos e as mascotinhas. Abraçar apertado e não deixar escapar a vida por entre os dos dedos, segurar firme e vencer cada momento, com grande alegria e muitos abraços.
Andando lado a lado com o tempo. Hoje já não tenho necessidade de correr contra ou atrás do tempo. O melhor é ir acompanhando cada acontecimento com sabedoria e paciência, afinal correr para que? Se tenho todo o tempo necessário para cumprir minha jornada, para trilhar minha estrada, para chegar ao meu destino.
Aprendi a viver o hoje de olho no amanhã e se despedindo do ontem, porque a vida só acontece agora, ontem já se foi, ficou só a experiência e o amanhã é só uma possibilidade.
Enfrento as batalhas de frente, não recuo, mas também não avanço se não me sentir segura. E hoje não arrisco ir além dos limites que o corpo me impõe.
Só não aprendi a dominar minha língua, ainda falo mais do que o necessário, sem pensar e as vezes propositalmente, falo tudo, não deixo nada para depois e quando percebo já desfiz o mundo de alguém ou derrubei o meu próprio.
Difícil mesmo é o meu discurso, falo mais que a boca e deixo um mar de palavras dúbias que as pessoas interpretam do jeito que querem provocando mal estar em muitos.
Vivendo para aprender a contar até dez, para morder a língua antes de falar o que não é de minha conta. Ficar calada por tempo insuportável.
Afinal... E a vida como vai?
Assim... Assim...
Heloisah
Meu instante mágico é quando meu amor transborda e vai além de qualquer medida.
Essa semana me trouxe algo para pensar, dimensionar, medir e decidir. Ouço da psicologa, que não se deve amar demais, que quem ama muito, seu amor passa a ser pisado, descartado, desacreditado e agora?
Meu amor é desmedido, amo sem limite, amo além do infinito, amo incondicionalmente. Mas o mesmo amor que sinto pelo outro, tenho certeza me amo um tantinho mais. Amo com os olhos bem abertos, verificando onde está meu chão. Mas se necessário for, também perco meu chão e me atiro por inteiro.
Me pergunto: Como medir o amor? É possível? Há limites para amar? Ama-se mais ou menos ou ama-se por inteiro? Passei a semana pensando, analisando e ainda acho que o amor não tem medida.
Ama-se de formas diferentes, amor de mãe, amor de pai, amor de filhos, amor de irmãos, amor de amigos, amor entre casal, amor, amor e amor, diferentes, mas sem medidas.
Entre amar e medir, fico apenas com o amor. Está decidido vou amar do meu jeito, como sempre fiz, certo ou errado esse é o meu estilo. Me perdi muitas vezes, mas me achei muito mais. Meu amor desenfreado me trás muitas alegrias, me considero uma pessoa feliz, recebo de volta todo o meu amor dedicado.
Nos meus tropeços, erros e acertos, o amor sempre esteve presente. Nunca precisei medir e não vai ser agora que vou começar. As outras dicas da psicologa vou seguir, para me tornar uma pessoa melhor, acho-as relevantes e importantes para meu crescimento pessoal.
Amando sem medidas vou seguindo.
Heloisah